Entrevista de Sabrina Sato
Entrevista da musa do Pânico, Sabrina sato na revista VIP

CINDERELA SATO
DA MENINA DIVIDIDA ENTRE O CURSO DE JORNALISMO E AS COREOGRAFIAS DA TRUPE DO FAUSTÃO RESTAM POUCOS VESTÍGIOS NA MULHERAÇA ELEITA, EM 2008, A SEGUNDA MAIS SEXY DO MUNDO, SÓ ATRÁS DA UNANIMIDADE BÜNDCHEN. HOJE, ELA É SIMPLESMENTE UM DOS ROSTOS MAIS ONHECIDOS E AMADOS DA TV BRASILEIRA
Entre o almoço, a chegada da irmã e a partida para o feriado na casa dos pais, em Penápolis, no interior de São Paulo, Sabrina reservou duas horas para receber a VIP. Na hora marcada, a porta do elegante loft no Pacaembu, em São Paulo, se abriu com um sorriso e um barrigão. É Jô, a cozinheira, arrumadeira… faz tudo por aqui. E é ela que nos pede para entrar e esperar a dona da casa, que está no banho. Se for homem chamará Gustavo (o primeiro fi lho de Jô nasceu algumas semanas depois da entrevista e passa bem). A espera não foi longa e foi suavizada pela simpática companhia do buldogue Zé Dunha e pelo ótimo smoth jazz (Bill Evans Trio recebe Stan Getz, se não me engano…) que rolava na tevezona da sala. Uma surpresa para quem esperava um gosto musical mais, sei lá, Pânico na TV!
E aí, cansou do Pânico?
Haha… que nada. Eu amo esse programa e amo essa gente.
Fala sério? Você continua lá aguentando aqueles malas?
Meu contrato é até 2010, mas eu gosto muito do que faço e cada vez eu gosto mais. Juro! Eu gosto do que rola por trás das câmeras. O Pânico é uma família, não que não seja profissional, mas ali tem uma liberdade, uma amizade, uma preocupação um com o outro…
Isso não enche, não cansa não?
Tô há seis anos no programa. Comecei com entrevistas de humor e esportes radicais, lembra?
Então só sai se aquilo acabar?
Mas não vai acabar nunca. Tem 18 anos de rádio e já virou uma filosofia. O público se acostumou com o jeito “Pânico” de encarar a vida.
O jeito de vocês sacanearem.
A gente não sacaneia pesado… a gente é mal compreendido… haha. A gente é a turma do fundão.
Você sempre curtiu fazer humor?
Humor é difícil. O difícil do humor é assim… não é igual música, que se você canta bem, o público é capaz de ouvir a música um verão inteiro, um ano inteiro. Piada, você conta uma vez e já era. Acabou. Piada é uma vez só. E eu nem sei contar piada, hein.
Você pensa em fazer outra coisa?
Eu quero fazer TV a vida inteira. Mas sei que tem que se renovar, se inventar, tem que mudar tudo sem perder a essência. Mas eu não consigo pensar no futuro. Não acredito em fazer projeto. Acredito em fazer bem no presente e colher no futuro.
E o BBB? Você assiste?
Não dá tempo, né? Mas eu gosto de ver quando dá…
Como você encara isso de ser um dos que se “deram bem”?
Esse papo de entre os 500 participantes três “darem certo” é relativo. Porque a gente está falando de quem trabalha na TV, mas não é todo mundo que quer isso.
Então o que é dar certo para uma ex-BBB? Por que o sucesso sorriu pra você ou pra Grazi?
A Grazi é de verdade, né? E é isso que as pessoas gostam. Ninguém gosta de gente fake, de gente ocupando, ou reivindicando o espaço de outra. Acho que o sucesso vai sorrir pra gente que está fazendo diferente, fazendo algo original. Teve a época das personagens: Tiazinha, Feiticeira, a loira disso, a morena daquilo… mas elas não eram elas mesmas… e aí passou essa fase e hoje todo mundo quer saber das pessoas que são elas mesmas, pessoas de verdade. As pessoas querem ver a Suzana Vieira chorando, sofrendo, querem se emocionar com o que é real.
E o preconceito?
Rola. E acho que é porque tem muita gente boa fora do ar. Olha o Chico Anysio, por exemplo. O cara é um gênio e está fora da TV há um tempão. Mas o mundo é assim. É cruel. Pra tudo. A oportunidade surge e é justo que as pessoas aproveitem, afinal, quem julga é o público. E o tempo é a melhor resposta.
Acredita em amor eterno?
Que pergunta. Olha, outro dia eu li um artigo de um psicólogo que falava disso. E que a questão para entender os relacionamentos hoje era somar informação e imediatismo. Hoje, se não tá bom, você não consegue continuar. Você não consegue ter um problema e continuar mais um dia sem resolvê-lo.
E casamento?
Eu quero um casamento… eu sou muito romântica. Quero fazer coisas especiais por um homem, quero ser companheira. Mas quero um cúmplice para viajar, para ter do lado e… Quero que meu casamento dure. Por isso não tenho pressa pra casar.
E os namoros?
Eu gosto mais de namorar e tive poucos namorados. Mas gosto de liberdade de sair pra dançar com amigas, liberdade de não ter hora pra chegar… se não chega a hora, por exemplo, eu caso com você…
Aceito!
Haha… não, olha só… vai chegar o momento em que você quer ir com seus amigos para o Pantanal. E eu vou adorar que você vá. Porque, se não, vai chegar o dia e você vai cobrar isso de mim. E eu quero também ter o direito à privacidade de tomar chope com amigas, falar mal dos namorados, fazer compras.
E o ciúme?
Desde que a mulher paga as contas dela, ninguém mais segura. Isso acabou. Você tem que estar com alguém porque você ama, porque quer.
Você deve ser a celebridade mais desencanada com a fama que eu conheço. Não tem problemas com a imprensa no seu pé?
É que eu faço as coisas muito bem. Muito bem escondidas… haha, é brincadeira, hein! É que eu não fui fabricada, não tenho empresária, não tenho ninguém para me dizer: “Olha, não fica até tarde na rua, não fotografa assim, assado”. Minha empresária é minha irmã. E eu quero tomar meu chope no Genésio, no Filial…não quero ser famosa, mas eu adoro ser reconhecida. Eu trabalho em TV, mas tenho essa consciência que eu cago igual a todo mundo, não tem como tratar alguém mal: um tá varrendo o chão, outro escrevendo livro, outro tirando foto. Se você trabalha na TV, tem que aguentar uma certa euforia à sua volta, um certo assédio. Se não aguenta, por que te metes? Certo, tem hora que você tá triste, tá nervoso… mas eu procuro não descontar em ninguém e nunca no fã, nunca. Eu penso assim: eu admiro alguém, tipo, eu admiro a Maria Bethânia, daí eu encontro com ela e vou pedir pra ela autografar meu CD. Pra ela, eu posso ser mais um fã, só que pode ser a única vez que eu vou encontrar com ela na vida. E eu penso nisso quando alguém chega perto de mim. Pode ser alguém que sonha encontrar comigo e pode ser aquela a única chance de ela se encontrar comigo. Eu não vou negar nada, não vou ser uma escrota… ser brava, pentelha. Acho que tem a ver com a minha cultura oriental, minha educação. Eu me sinto grata por isso. Por ter saído de um reality e trabalhar num programa de TV, onde quem manda é a audiência, sinto que tenho mais é que ser grata e não ficar com firula, com estrelismo.
2008 só deu você. E agora, o que resta pra fazer em 2009?
Quero fazer muito Pânico. Quero seguir trabalhando muito… mas essa crise, né?
Mas como diz nosso presidente, que o pessoal continue comprando, consumindo…
Mas é verdade, o Lula tá certo. Eu sou muito fã dele. Admiro muito ele. Ele sempre surpreende a gente e representa muito bem o Brasil. E ele tá certo em dizer isso sobre a crise. Se a gente parar de comprar, parar de consumir, aí é que tudo para mesmo. Quanto mais pavor se cria, pior fica.
E não adianta falar mal que a popularidade do homem só sobe, né?
O Lula é que nem o participante do Big Brother. Por ele ter vindo do povo, sempre vão cair de pau em cima dele. Ele nunca vai ser um intelectual que todo mundo quer e por isso não adianta tentar. Mas é engraçado, porque o brasileiro adora falar mal. O povo adora ele, mas ninguém elogia. É que nem o Ronaldo no Corinthians. Ninguém dá força e é só gente pichando: “Tá gordo”, “não vai jogar nunca”. No Pânico também é assim, sempre o quadro de maior audiência é o que tem mais reclamação. Mas… espera aí, que eu vou fazer xixi…







